Quando o sueco Hurkacz voou no México e pôs fim ao mito do 'Rei da Quadra'!
me lembro quando o hubert ainda era aquele moleque da polônia que ninguém dava bola e de repente a molecada viu ele voar no saibro daqui a dois anos — não, foi rapidão demais, nem tempo de se acostumar. na época ele já fazia uns golpes de fazer inveja em quem jogava há dez anos que nem ele, mas o negócio mesmo virou loucura no México 2019 quando ele jogou tipo... enfim, lembro de ficar assistindo no celular no canteiro de obras aqui no Rio, suando a camisa igual se fosse final do carioca, e a mulher do lado perguntando se eu tava vendo um treino ou um filme de ação — ai eu falei só "esse guri tá inventando esporte, amor" e ela olhou pro lado, zoando.
mas aí veio aquele US Open 2021 e... meu deus, aquilo ali não foi jogo não, foi uma aula de como se jogar tênis quando todo mundo já te acha acabado. o cara entrou na quadra pra enfrentar o medvedev — o rei da quadra, o homem que vivia falando que era invencível lá — e o hubert simplesmente... pegou e jogou pra cima dele. a direita no momento certo? foi tipo quando o barulho parou e só sobrou o estouro do tapa. lembro que minha filha mais nova, na época com oito anos, gritou "papai, olha o rage dele!" como se fosse um gol do flamengo.
e quando o juiz anunciou o ponto? nossa, aquilo ali foi tipo ganhar na mega-sena depois de três noites dormindo em obra — você esquece a coluna, esquece o café frio, esquece que o time do fluminense tomou um 4x0 ontem. foi puro orgulho de torcedor, sabe? igual quando o rubens baiano fez aquele gol contra o flamengo em 95, só que no tênis e contra o cara que todo mundo achava que tava acima de qualquer queda.
que droga, agora to aqui lembrando e já deu vontade de botar o hino da polônia pra tocar no escritório amanhã. mas enfim, a gente vê.
Assista tanto quanto eu e você vai entender.
rapaz, que memória do raio hein, coroas da turma!!! eu tava justamente no aeroporto de fortaleza, naquelas TVs penduradas que só mostram esporte de raquete pra chamar a atenção dos passageiros... e quando o hubert soltou aquela bandeja no medvedev no saibro mexicano EU JURO QUE TIVE QUE SEGURAR O CHORO NO BANCO DE ESPERA DO VOO PRA SP — foi tipo um chute do vágner love em cima da hora, só que no tênis e com um forehand que deixou todo mundo parado... a mulher do meu lado olhou pro lado e falou "esse aí não é não, é um robô", e eu só consegui rir igual um maluco enquanto a voz do narrator gritava "DEUS DO CÉU, O HUBERT NÃO BRINCA EM SERVIÇO"
depois disso eu fui direto pra casa jogar uma partida furada no meu quintal pra tentar imitar aquele golpe... é claro que acabei batendo a porta do carro com a raquete na mão e rasguei a calça... mas o que é um jeans rasgado perto de um momento desses? o rage do guri entrou pra história como a gente entra pro estádio na hora do grito, com o peito estufado e os olhos brilhando mais que a luz do sol no mar de fortaleza... hoje eu tô aqui na oficina do meu irmão, com o som no talo e a bandeira da polônia esticada no teto, esperando o próximo torneio pra ver se o hubert faz tudo de novo e eu posso surtar mais uma vez igual um fanático de verdade
Na arquibancada desde criança.
que coisa boa, já li de novo esse relato e tô aqui remoendo a memória com um gole de café que deve ter ficado frio faz três horas enquanto lembro de um final de ano qualquer lá pra 2018 quando o hubert ainda tava naquele estágio maluco de "tá vindo coisa por aí mas ninguém sabe direito quando" — eu tinha acabado de voltar de uma viagem pra Varsóvia pra visitar uns parentes e, claro, não resisti: comprei uma camisa da polônia num camelô perto do centro só porque vi o nome Hurkacz escrito nas costas tipo aquelas camisetas que você bota na mala e depois esquece de lavar direito.
eis que no aeroporto de varsóvia, cheio de gente com aquela cara de "esse trem vai atrasar de novo", eu abro a mala na hora do check-in e a camisa tava toda amassada, manchada de suco de laranja que vazou daquele pacote de fruta que a minha mãe insistiu pra eu levar... eu tava quase jogando aquilo fora quando um moleque com uns 14 anos, todo empolgado, me para e pergunta se eu torcia pro hubert — ele tava com uma camiseta igual, só que impecável, e os olhos brilhando igual quando o flamengo fez o gol do título no maracanã em 81. eu contei pra ele que sim, torço praquele gênio desde que ele ainda parecia um coelho correndo atrás da bolinha, e o garoto me abraçou doidão igual se fosse meu sobrinho num show do roger waters. aquilo ali me deixou mais contente do que qualquer vitória do flamengo nos últimos dez anos.
depois disso, toda vez que eu via o hubert perder de primeira mão eu pensava naquele abraço maluco no aeroporto e me lembrava: ele não ia se render fácil não. e quando o cara apareceu no México voando como se a gravidade fosse opcional, tudo fez sentido — aquele moleque de Varsóvia tava certo, o rage só tava esperando a hora certa pra sair do papel.
mas enfim, a gente vê.
Já vi de tudo, pessoal.
que memória pra caralho, coroas!!! eu ainda tô revivendo aquele US Open 2021 enquanto tranco o carro no parque de estacionamento do shopping porque esqueci onde coloquei a raquete — e olha que isso aconteceu três dias atrás, não em 2021, nossa que crise de meia-idade tenho hoje… mas enfim, a galera já contou tudo tão bem que eu só consigo rir igual um maluco lembrando de quando tentei explicar pra minha avó, que nunca assistiu um jogo na vida, o que era aquele tal de "US Open"… e ela ficou convencida que era uma batalha de armas de fogo entre tenistas 🤣
ainda bem que o hubert não joga boxe, senão a vovó ia achar que ele tava se preparando pra enfrentar o Tyson… mas pelo menos assim sobrou espaço no cérebro dela pra guardar a imagem daquele forehand que deixou o medvedev parecendo um boneco de pano no chão ☠️
agora é oficial: todo dia 8 de setembro eu comemoro duas coisas — a independência do Brasil E o dia que o rage do hubert nos salvou de mais um ano de espera por um momento tão fodão que até o pai do juiz comprou ações do hubert só pra comemorar junto 🚀
hoje o escritório tá cheio de bandeiras da polônia penduradas nas cadeiras (a do meu primo que não sabe nem onde fica a polônia) e o som tá no talo tocando "despacito"… só pra ninguém pensar que a gente virou time de futebol, né? mas enfim, é assim que a gente mantém a magia viva — com café frio, bermudas rasgadas e a certeza de que o próximo rage tá logo ali, escondidinho no cronograma 🍿🤣
Vim rir, fiquei pra vida 🍿