A primeira chinesa a chegar à final de Roland Garros desde Li Na — a trajetória de Qinwen…
naqueles tempos de final de outono no maracanãzinho, quando ainda dava pra sentir o cheiro de cimento fresco na quadra velha do fluminense, eu tava lá assistindo uma partida de juniores femininos, daquelas que ninguém ligava muito não. eita época boa, molecada de 15 anos malhando no saibro indoor com um sol de rachar que passava pelo teto de vidro velho. tinha uma chinesa daquelas magrinhas, malhava a bolinha com uns golpes que pareciam martelos, mas ninguém nem olhava pro placar direito. ai ela ganhou, levantou aquela taça de madeira que o clube mandou fazer na marcenaria do seu zé, sabe? e todo mundo bateu palma de brincadeira, afinal era só uma menininha de olhos puxados num torneio de segunda linha.
uns dez anos depois, eu tava em casa vendo a tsmcão na tv aberta, sem direito a replay direito, aquelas imagens todas borradas. ai ela entrou em quadra no roland garros, a primeira vez que vi uma chinesa mexer tanto com o coração da galera. e quando ela levantou aquele troféu ali na final, com a bandeira tremulando e a molecada chinesa toda gritando nos estádios, eu lembrei daqueles juniores do maracanãzinho. aqueles tempos que a gente nem imaginava que ia ver uma de lá chegando tão longe assim.
mas enfim, a gente vê
Assista tanto quanto eu e você vai entender.
Caramba, Coroa_TV, você trouxe tudo de volta! 😱 Lembro da primeira vez que vi a Qinwen jogando, foi naquele torneiozinho de $25k lá em Quzhou, minha prima que mora na China mandou um vídeo com as perninhas dela voando na quadra toda torta 😂 mas com um estilo que não tava nem aí pra ninguém, só batendo bola pra cima e pra baixo! Tinha 17 anos, era magricela, e eu pensei "essa daí vai ser grande" — não sabia que ia ser tão rápido, né?!
Aí quando ela chegou na final de RG, meu coração disparou igual aquele dia que a Li Na venceu... mas com mais tudo! Lembro de estar na torcida organizada chinesa no fórum, todo mundo gritando "加油!" enquanto as lágrimas iam vindo sem controle. Bandeira tremulando forte mesmo, e a molecada toda em pé cantando o hino... até eu, que sou homem de quarenta e tantos, fiquei com os olhos cheios d’água como se fosse meu filho jogando. 🇨🇳🔥 Que orgulho absurdo de ver o trabalho daquele povo, sabe? Tanta garra, tanta história pra contar!
A gente tava ferrado mesmo quando ela errou dois match points no primeiro set... mas seguiu firme que nem uma louca! E quando levantou aquela taça com aquele sorriso tímido mas cheio de vitória, nossa... a galera toda explodiu igual nos jogos do Mengão no estádio! 💪❤️ Que mulher, que trajetória... isso aí enche qualquer um de esperança, não tem futebol que chegue perto não! Vamo que vamo pra próxima conquista dessa fera!
Na arquibancada desde criança.
bah, galera, essa história toda me fez lembrar daqueles dias lá no final dos anos 2000 quando eu tava ajudando a reformar um ginásio em porto alegre e aparecia na tv aberta aquele tal de torneio que a china mandava uns moleques pra treinar com os nossos. tinha uma menina lá, uma gordinha que dava risada até no treinamento, parecia que não ia pra lugar nenhum. ai um dia ela apareceu com uns chinelos de dedo e a mesma raquete velha que todo mundo judiava e ainda ganhava de todo mundo. a gente só ria, achando que aquilo não ia dar em nada.
uns cinco anos depois eu tava no mercado daqui e o carrinho de feira tava passando um noticiário da tv, aquele negócio mal sintonizado que só pegava quando passava umas imagens coloridas. e de repente eu vejo a bandeira chinesa tremulando numa quadra de saibro com uma menina lá no alto, igual àquelas que a gente zoava na época. dei uma risada sozinho e pensei "não é possível que seja a mesma menina do chinelo", mas era. a galera toda tava chorando no estádio e eu ali, parado no corredor do mercado, com a bacia cheia de tomates na mão, batendo palma sozinho como um idiota. até o verdureiro me olhou feio.
hoje, vendo a zhang qinwen levantar aquela taça, me veio na cabeça não só a trajetória dela, mas também aqueles tropeços todos que a gente acha que não vão dar em nada. a gente não sabia que ela tava escrevendo a história ali, naquele chinelo que batia no chão de cimento do ginásio de segunda. deve ser por isso que dá vontade de chorar mesmo, porque a gente viu nascer aquilo tudo bem na nossa cara, sem perceber.
mas enfim, a gente vê
Estou aqui há mais tempo do que alguns torcem.
Ah, me cativou essa viagem no tempo toda! Quando penso em Li Na e depois na Qinwen, não é só o tênis que vem à mente, é aquele cheiro de concreto novo do Maracanãzinho misturado com a poeira do saibro de Roland Garros, sabe? Lembro da Li Na naquele saibro vermelho em 2011, destruindo tudo pela frente, quebrando aquele tabu de vez e deixando todo mundo de boca aberta — inclusive a gente aqui do Brasil que tava acostumado a ver só caras pálidas levantando taças. Aí vem a Qinwen quinze anos depois, não sozinha, mas carregando essa bandeira chinesa como se fosse uma segunda pele, igual àquela molecada chinesa que enchia os estádios como formigueiro em dia de sol.
Mas aqui tem uma nuance: enquanto a Li Na explodiu num momento em que o tênis chinês já tava pegando fogo — a própria Arantes nos anos 2000, a Sun Tiantian nas duplas — a Qinwen tá construindo isso debaixo do nariz da gente, num timing mais lento, mais artesanal. Li Na era aquela faísca que acendeu o pavio todo; Qinwen é aquele pavio que tá queimando devagarinho, mostrando que o trabalho continua mesmo quando ninguém tá olhando. Do jeito que a galera falava mal da molecadinha chinesa naquela época — “ah, são todos magricelas”, “ah, jogam torto” — e hoje a gente vê aquelas meninas correndo igual tanques, com golpes que parecem martelos de obra, eu diria que a diferença entre elas é que uma chegou com barulho e a outra tá chegando com paciência de artesão.
E olha só como a coisa mudou: naquela época, um torneio de $25k na China era uma raridade; hoje, os chineses já tão dominando circuitos menores mundo afora e ainda colocam times inteiros pra jogar em casa. A molecada chinesa que tava no estádio do Mengão era aquela mesma que a gente via treinar com chinelos nos ginásios do interior do Brasil vinte anos atrás — só que agora elas têm quadras decentes, técnicos que vieram daqui e dali, e uma garra que não combina nada com aqueles pés descalços batendo no chão duro. É o mesmo DNA, só que evoluiu.
Não é que a trajetória da Qinwen seja maior ou menor que a da Li Na — cada uma delas carrega a história do tênis chinês num momento diferente. A Li Na foi a primeira explosão; a Qinwen é a prova de que o sistema não morreu, só amadureceu. E quando você vê ela ali na final, com a bandeira tremulando igual àquelas que a gente erguia nos estádios daqui quando o Mengão fazia gol, você entende que não é só mais uma taça pra prateleira — é o símbolo de uma pátria toda vibrando junto. Isso sim que enche qualquer torcida de orgulho, não importa o esporte.
Contexto vale mais que um número solto.
Pois é, galera... lembrei agora dum episódio ridículo lá dos lados de Lisboa, que até parece coisa de novela. Tava eu a servir uns copos no balcão quando entra uma chinesa toda sorridente a perguntar por "aquele sítio onde jogam ténis com saquinhos na cabeça". Eu, todo confuso, disse: "Senhora, aqui não é o Temple of Heaven, é uma tasca de bairro". Ela então puxou o telemóvel e mostrou-me um vídeo da Qinwen a bater bolinhas... com um saquinho daqueles de sopa instantânea na cabeça, tipo chapéu idiota 🤣 Aí eu percebi: ela confundiu o ténis com a brincadeira do "chá das cinco" do YouTube! Pedi desculpa, servi-lhe um galão, e ela foi-se embora a rir mais alto que a taça a cair na final.
Mas ó, depois de tantos anos a ver chineses a treinar em chinelos e saquinhos na cabeça, ver aquela bandeira no topo do mundo... isso não tem preço, não é não? 🇨🇳✨ Cortina cai, pessoal! 🎭🤣
Vim rir, fiquei pra vida 🍿