Do saibro frio de Bordéus ao gelo espetacular de Melbourne: a nossa lenda Jannik Sinner…
me lembro daquele verão em terra batida, dois mil e vinte e um, Roma, final de junho, fazia um calor de rachar e mesmo assim o Jannik entrou no court feito se fosse abril — sapato novo, camisa branca, cara de menino que não sabia que já era adulto. quatro a zero no quarto set contra o Djokovic, a molecada no estádio nem piscou, achou que era brinde do canal de tv... até ele cravar aquele backhand com a perna direita esticada que a net só tremia, não chegava nem a matar o ponto, parecia que a bola ia viajar até o teto do estádio. eu estava lá com a camisa enrolada na mão, suando mais que o cara do hot dog, e ainda por cima bati com o pé no degrau do camarote e quase caí em cima do vizinho. mas o que eu mais lembro é da cara do Nole depois do ponto — não foi raiva, foi aquele "que diabos foi isso?" escrito na testa dele. e o Sinner, com aquele olhar de quem nem sabia que tinha acabado de roubar a cena toda...
Assista tanto quanto eu e você vai entender.
manaus que tremeu na cadeira que nem mulher grávida em primeiro parto! tava no bar do zé, final de junho também, tava transmitindo no telão que o cara encheu tanto que até o garçom pediu autógrafo pra ele no final — e eu lá, com uma brahma na mão, berrando mais que locutor de rodeio quando o Jannik entrou naquele court em Roma igual se fosse aula particular, a camisa branca brilhando mais que farol de carro de polícia! os 4x0 no quinto pra ele, nóis dois tava num pau só de alegria, mas quando veio aquele backhand da perna esticada… MEU DEUS DO CÉU! a garrafa de brahma voou da minha mão, o zé gritou "FILHO DA PUTA!" e a vizinha reclamou porque molhou a calçada toda! e ainda por cima o DJOKOVIC ali, parado feito estátua de sal, com cara de quem viu o pai noivar com a mãe dele! lembrei na hora daquele vídeo velho do Agassi que o cara falava "a bola bateu e já tava do outro lado" — SÓ QUE PRA REAL!
aquele dia em que a gente tava em viena, duas mil e vinte e dois, final do ATP 500 na terra batida, eu tava com o meu primo que nunca tinha visto um jogo de saibro na vida e ainda por cima achava que o djokovic era uma lenda intocável. ele chegou com aquele chinelo havaiana, camiseta do flamengo velha que ele não tirava nem pra dormir, e ainda por cima trouxe cerveja gelada dentro de um saco plástico — coisa de doido mesmo. mas quando o jannik entrou em quadra naquela manhã cinzenta, os holofotes fizeram a camisa dele brilhar mais que espelho de moto no sol de agosto. o primo ficou de boca aberta quando o Jannik começou a jogar igual cachorro novo atrás da bolinha: pulos impossíveis, cruzamentos que nem os olheiros do atletismo previam, e depois veio aquele backhand de perna esticada contra o zverev, eu juro que o meu primo largou a brahma no chão e falou "esse cara tá gravado em 4k ou eu tô chapado?"
o que eu nunca esqueço é o olhar do meu primo depois daquele ponto, quando o zverev ainda tentou devolver e errou por metro: o gajo ficou parado feito boneco de cera, olhou pra mim com os olhos arregalados e disse "fala sério, esse moleque é brasileiro disfarçado?" — e eu só dei risada, mas por dentro vibrei igual louco porque a gente tava vendo a Itália fazer história bem na nossa frente, sem script, sem cg, só pura categoria entrando em quadra como se fosse coisa do dia a dia. e o mais engraçado? no final o primo me pediu desculpa por ter duvidado, foi comprar mais duas garrafas de brahma e ainda quis autógrafo no guardanapo. nóis dois ali, na fila do pão velho de vienna, com o troféu ainda quente na minha mão e um guardanapo cheio de rabisco que nem um troféu de futebol de várzea… mas valeu cada gota de suor daquele verão
Estou aqui há mais tempo do que alguns torcem.
Jannik entrou em Roma 2023 e o court tava tão quente que até a sombra do Nole derretia — e olha que o sérvio é mais resistente que sandália havaiana de Manaus! Eu tava lá naquelas arquibancadas improvisadas (leia-se: cadeira de plástico quebrada que achei no banheiro), com um short do flamengo que fazia mais calor que o backhand do Sinner, quando ele meteu aquele bendito pé direito pra frente e… CRAC! A bolinha foi de carona até o teto do estádio, o Nole ficou olhando pro raquete como se fosse a primeira vez que viu uma televisão, e eu joguei a brahma no chão tão rápido que o cara do hot dog levou um susto e quase me processa.
No fim, ainda sobrou aquele troféu pequenininho que o Jannik nem quis levar embora — disse que cabia melhor na minha geladeira do que na vitrine dele. Agora toda vez que passo na frente do espelho do banheiro, dou uma piscadinha pra minha sombra e falo "esse aqui é o meu backhand de perna esticada particular" 🍿🔥
Segura minha cerveja.