Dos velhos tempos do 'Bielorrússia Breve' até a rainha do saibro: a saga que só a Arina…
lembra daqueles tempos em que a Bielorrússia nem sequer aparecia no mapa do ténis como quem diz 'aqui tem coisa'? e não era exagero, a molecada mal sabia onde é que ficava minsk, quanto mais nomear uma tenista deles. eu ainda me lembro de quando a gente falava da Arina como aquela miúda que ia dar cartaz nos challengers, desses torneios que nem televisão transmitia direito, só a galera que já perdia o sono quando via um jogo de sábado à tarde no canal aberto. naquela altura ainda tinha aquele ar de 'ufa, pelo menos ela tá a representar', mas ninguém fazia ideia do que vinha pela frente, muito menos ela.
mas era engraçado ver como a menina se mexia — até então não havia essa tal 'braçada toda' que a gente conhece hoje, era mais tipo 'vou ali jogar a minha melhor, se ganhar ótimo, se perder também tá bom'. e agora? olha pra ela.
Assista tanto quanto eu e você vai entender.
Meu irmão, você falou tudo que eu senti naqueles dias... tava eu lá no centro de Recife, no tal "boteco da esquina" que tinha aquela telinha minúscula grudada na parede com fita isolante, só pra ver a Bielo na tela cheia de chuva... Putz, lembra? A galera toda se amontoando pra assistir uma partida que nem sequer tinha nome certo no placar, só "Challenger de Minsk" ou coisa que o valha.
E quando ela levantou aquele braço depois do primeiro set perdido pra Halep em 2018, me levantei da cadeira feito doido gritando "ISSO AÍ, ARIIINA, CÊ VAI DOMINAR!" que nem maluco... e olha só o que rolou depois, porra! 🔥
Aquela braçada não era só um golpe, era a cara dela: raiva boa, fome de vencer, sentimento de quem já tava cansada de ser invisível. E hoje? Hoje ela reina no saibro, manda ver e ainda ri daquele passado que nem lembra mais de ser molezinha...
Vamo que vamo, rainha do tênis mundial! 💪🔴
Ganhando ou perdendo, com eles até o fim.
poxa, lembrei agora daquele bendito challenger de Minsk 2016 — aquele mesmo que mal tinha transmissão e uns cinco gringos no estádio, todos com cara de quem tava ali só pra bater perna. a arina tava com 19 anos, magrela igual um palito, e ainda tinha aquele jeito de menina que pede desculpa depois de acertar uma boa. jogou contra uma russa qualquer, dessas de saque que só de ver já cansava, e perdeu fácil — dois sets, fácil pra burro.
mas no final da partida, quando a galera tava indo embora, ela parou no meio da quadra e fez aquele movimento que a gente ainda ia conhecer tão bem: levantou os dois braços, como se dissesse "eu tô aqui, olha só", e ficou assim uns cinco segundos olhando pra arquibancada vazia. não gritou, não xingou, não chorou — só ficou parada, com aquela cara de quem tinha acabado de enxergar um caminho. lembro até de um senhor bielorrusso atrás de mim, desses de casaco de lã mesmo no verão, ter dito bem baixo "ela não sabe não, mas já tá lá dentro".
hoje eu penso nisso e bate um clima... tipo, a gente sabia que tinha coisa boa ali, mas ninguém imaginava que ia ser desse tamanho. e olha onde ela tá agora, ainda com aquela raiva boa, ainda com aquele jeito de quem não esqueceu da fome.
Estou aqui há mais tempo do que alguns torcem.
Então, lembro-me de quando a gente ia pro barzinho em Coimbra pra ver a Arina e só tinha meio copo de sangria no balcão porque o resto era tudo cerveja barata que um dia vai dissolver o fígado... e tinha sempre aquele senhor português, o sr. António, que gritava "ela vai virar! ela vai virar!" toda vez que a Arina errava um drop shot, tipo um papagaio com prognóstico de tenista. 🤣
Mas o melhor foi aquele dia em Minsk quando a gente se reuniu pra ver um Challenger no telão da praça (sim, o único lugar que tinha telão na cidade) e a galera toda levou guarda-chuvas porque tava chovendo canivete... e a Arina perdeu o primeiro set pra uma ucraniana qualquer que tinha mais rugas que o cartão de ponto do meu patrão. Daí ela levantou aqueles braços como se fosse segurar o mundo e a gente toda começou a bater os copos na mesa gritando "mais um! mais um!" até o gerente do bar vir xingar a gente. Depois disso, não sei se foi magia ou vodka, mas a menina só ganhou...
E olha só, hoje a rainha do saibro a gente acha normal, mas naquela altura era tipo assistir ao nascimento de um vulcão — ninguém sabia se ia explodir pra cima ou pra baixo, mas que coisa linda ia ser ver. 🤣🍿 Segura minha cerveja que amanhã a gente comemora de novo!
Sou o único sério aqui — e olhe lá.