Markéta Vondroušová ainda não confirmou como pode ser a "salvadora" do tênis tcheco em…
Eita, gente, olha só como a coisa pega: a Vondroušová virou quase que uma especialista em saibro de tão boa que é lá. Mas aí você para pra pensar: será que essa dependência toda do piso lento é um trunfo ou uma armadilha? Porque eu lembro daqui de Belém, quando a maré está baixa no rio, o barco oscila muito mais — e o saibro age igual: segura bem quem tem giro baixo, mas escorrega quem depende demais. Agora, imaginem só o drama dela: 27 jogos seguidos num solo que é o equivalente a fazer croissants todos os dias — você se especializa tanto que esquece como se faz um pão de forma. O problema não é a habilidade, é o ambiente.
E ainda tem essa história das duras contra o top 50: perder cinco de sete é um sinal de que o jogo dela ali é mais volátil do que a turma costuma pensar. Não é frescura não, tá? Quando você assiste uma partida dela no duro, parece que tem dois estilos se batendo: a Vondroušová que arrasa no saibro com aquele drive baixo e cheio de topspin, e a que sai correndo igual louca nas quadras rápidas porque a bola quica alto demais. A torcida tcheca deve estar se perguntando: "Cadê aquela menina que só faltava um bilhete de loteria pra vencer tudo?" — e a resposta pode ser justamente que o saibro virou o bilhete dela, não a solução.
Aliás, já viram como as jogadoras que dominam o saibro costumam ter uma queda brusca quando mudam de piso? A Muguruza mesma sofreu horrores na transição. Só que a Vondroušová não é qualquer uma — ela tem um forehand que faz a bola girar mais que o motor de um navio, então a adaptação devia ser mais rápida que o normal. Mas aí vem a pergunta: será que cinco derrotas seguidas contra top 50 em dura não é só azar em quadras que não favorecem o estilo dela, ou será que é o atestado de que ela ainda não encontrou a chave do cofre no piso rápido? Porque, convenhamos, se a solução fosse fácil, alguém já teria destravado isso há tempos.
xG > emoção.
Eita, mas o que que seria esse tal de giro baixo aí que o ColoradodaGeral falou? 🤔 Porque eu sempre ouvi falar mais de topspin alto, essas coisas de girar a bolinha pra fazer ela voar pro lado... será que é tipo um jeito diferente de bater na bolinha? Ou é só aquele movimento que faz ela ficar mais lenta no ar? Desculpa se a pergunta tá boba, pessoal, é que eu fiquei curioso mesmo! 😅
Todo dia aprendo algo novo sobre futebol.
então olha só, ForcaTimaoTotal, você tá perguntando justamente a coisa que separa os que batem igual touro na bola e os que jogam xadrez com ela. o giro da bola é tipo aquele momento em que você tenta escorregar uma pedra achatada na superfície da água, sabe? só que em vez de água é ar e em vez de pedra é uma bolinha amarela.
quando a gente fala de *baixo giro* ou *alto giro*, não é só o tanto de rotação que a bola faz — é a *direção* dessa rotação que muda tudo. um topspin alto faz a bola ir pro alto e quicar mais alto que o joelho do adversário, ideal pra você chegar tranquilo e bater de cima. já o giro baixo, esse é aquele que você bate mais na horizontal, a bola sai mais rasteira, quase planando, e quica bem mais baixo — tipo aquela batida que o Djokovic faz no forehand quando quer surpreender com um winner por baixo da rede.
na Vondroušová, esse negócio de giro baixo é o coração do estilo dela no saibro: ela consegue fazer a bola girar pra frente mas numa trajetória tão baixa que quando bate no chão ela praticamente desaparece, some pra trás da quadra. o adversário vê aquilo e pensa "onde é que essa bolinha foi parar?" porque ela ricocheteia tão próximo ao chão que até quem tá vendo de lado perde a noção. agora imagina isso num piso lento: a bola demora pra morrer, fica rodando como uma moeda girando no chão. num duro, o tempo é curto demais pro giro baixo mostrar toda a vantagem dele — a bola quica alto demais, fica fácil pra o adversário subir e te esmagar com um winner na linha. por isso que quando ela joga no saibro parece que tá jogando xadrez e no duro tá correndo atrás da bola feito um cão atrás do próprio rabo.
pra ver a diferença na prática, assista um ponto dela contra uma jogadora qualquer no saibro e depois no duro — no saibro a bola parece que voa devagarinho, no duro a mesma batida vira uma corrida contra o tempo.
Estou aqui há mais tempo do que alguns torcem.
ahhh, esses causos de quadra são uma coisa linda de se ver, principalmente quando a gente lembra de um moleque lá da várzea que fazia cada passe de calcanhar que até o Pelé chorava de inveja, mas no tênis não tem criatividade que sobreviva quando o chão some debaixo dos pés. e é exatamente isso que tá acontecendo com a Vondroušová: ela aperfeiçoou tanto o jeito de jogar no saibro que, quando pisou no duro, o chão literalmente não quis mais saber dela — a bola sumiu, mas não do jeito que ela gostaria.
o negócio do giro baixo é o tipo de coisa que você só entende quando você mesmo apanha dele. já vi coisa pior: lembro de um cara aqui em Porto Alegre que fazia uns golpes de esquerda que só Deus sabe como ele não quebrava o braço, mas quando foi jogar num torneio indoor a primeira vez, o cara saiu da quadra bufando como um cavalo depois de uma semana no mato. a magia do giro baixo no saibro é justamente essa: a bola quica devagar, você tem tempo pra pensar, pra escolher o ângulo, pra fazer o adversário correr como um cachorro atrás do próprio rabo. no duro, a bola morre num piscar de olhos, e o giro que era seu melhor amigo vira um inimigo — porque ele faz a bolinha quicar alto demais, bem na altura ideal praquele adversário subir e te esmagar com um winner cruzado. já imaginaram a Vondroušová tentando fazer aquele drive baixo dela em cima de uma quadra que joga a bola direto na sua cintura? é como tentar jogar sinuca com tacos de baseball.
e tem aquele outro lado da moeda que ninguém fala direito: será que ela não virou tão dependente assim do saibro por opção, ou porque simplesmente não teve tempo de refinar o jogo no duro desde que virou profissional? olha, a gente aqui no sul tem um ditado que diz que quando o barco começa a tremer muito, é porque a maré mudou de ideia e ninguém avisou. a Vondroušová tá nesse barco há 27 jogos seguidos, e agora que a maré mudou pro lado do piso rápido, o barco não tá mais respondendo. mas enfim, a gente vê — porque uma coisa é certa: jogadora que consegue ganhar um grand slam no saibro com aquele forehand assassino não pode ser só talento natural, tem que ter cabeça pra entender que o tênis é um esporte de adaptação, não de especialização.
Estou aqui há mais tempo do que alguns torcem.