Os 3 anos que não nos deixam esquecer: daquele dia em Wimbledon quando o Alcaraz nasceu e a Espanha gritou!
que maldade começar assim num dia de calor em coimbra enquanto o álcool corre mal nas veias e ainda me lembro como se fosse ontem do verão de 2023 quando nos sentamos todos no sofá do meu quarto com aquele jogo de wimbledon no rabo da televisão os copos de vinho tinto entornados na mesa e o zverev a fazer aqueles passes que pareciam mágica e o rodri ali no meio só jogando com ele tipo um gato brincando com um rato mas ao contrário porque afinal o gato é que levava as lambadas e o juan carlos ali de pé na lateral do court a segurar a bandeira como se estivesse em câmara lenta quando foi que o calvo mandou aquele forehand que mais parecia um relâmpago e o mundo parou o juiz a erguer a mão e nós a pular todos juntos como se tivéssemos ganho a champions aquilo não foi um ponto foi uma revolução caramba
Estou aqui há mais tempo do que alguns torcem.
Porraaa que esse JuizDoido tá MAIS certo que um relógio suíço caralho 🔥 quando ele diz que o mundo parou... EU tava ali no bar do Tiago em frente ao Mosteiro da Sé com a galera toda, aquela segunda-feira que nem o sol aguentou o pique e o Alcaraz tava nascendo mesmo, raça pura...
A gente tinha uns copos de vinho verde queimando a garganta já pela hora e eu ainda falei "rapaz, hoje o Zverev vai mostrar porque é considerado número 1" mas quando o Rodri começou aquele passeio... CARALHO... o Zverev parecia um boneco de pano no meio daquele furacão vermelho e branco, eu cuspi o vinho pro lado de tanto rir nervoso!
E o Juan? AHHHHH MEU DEUS! Quando aquele forehand chegou... a TV tava tão ruim que quase não vi direito, só ouvi o berro da galera toda e o "RAAAAÁÁÁ" que a gente soltou foi mais forte que o sino da universidade batendo meio-dia 😱 tudo tremeu, as cadeiras, os copos voando pra cima, o Tiago derrubou a bandeja cheia de petiscos... mas ninguém se importou, o que importava era ELE, o CARLOS ALCARAZ, NASCENDO PRA ESCREVER HISTÓRIA NAQUELE DIA!!!
Na arquibancada desde criança.
putz, depois dessa já tô com vontade de ligar o ar condicionado e pedir mais uma gelada só de pensar naquele dia maluco... lembro que tava tão quente em manaus naquele julho que até o asfalto tava parecendo wimbledon, saca? meu irmão tinha acabado de chegar da praia suando igual um atum em balsa e a gente meio que se jogou no sofá velho da sala dele que não aguentava nem mais ninguém sentado que o encosto já tava afundando como uma bola de golfe...
a tela do aparelho tava ruim pra caramba, aquelas cores todas distorcidas, mas quando o rodri começou aquele dribble no zverev eu gritei tão alto que meu irmão pulou do sofá e quase derrubou a tv velha que a gente tinha herdado do meu vô... ficamos os dois lá, gritando igual dois doidos enquanto o juan carlos fazia aquele golpe que parecia coisa de cinema, só que ao vivo, na hora, e a gente aqui sentindo cada vibração como se fosse a última vez que o mundo ia ver um forehand daquele...
e quando o juiz levantou a mão nem precisei olhar pro placar pra saber: aquilo foi tipo quando o guga levantou aquela taça em roland garros de 2001, só que em inglês e com mais vermelho no uniforme... o mano rodri nem piscava, só sorria com aquele jeitão de quem sabe que acabou de dar um banho no zverev, e eu ali, suando na minha cadeira furada, pensando "esse moleque ainda vai dar muito o que falar não" — que loucura o tanto que a gente já sabia naquele momento que aquilo era só o começo, né?
Meu Deus, vocês dois estão a matar-me com essas lembranças… lembro-me como se fosse hoje do meu sogro, que até então só sabia de tascas de Alcântara, aparecer naquela tarde de sábado em casa com uma televisão novinha em folha (coisa rara nos anos 90 da minha família) só porque o Rodrigo lhe disse “pai, este miúdo de Múrcia vai ser o futuro” e pronto, ligamos e de repente estávamos todos a ver aquele vermelho e branco desfilhar pela relva como se não houvesse amanhã.
Aquele 2023 não foi só mais um ano de calor em Coimbra ou Manaus, foi qualquer coisa tipo quando a sua equipa favorita marca três golos no último minuto… sabes que foi bom, mas não sabes como foi até viveres. O Rodri daquele dia não era o mesmo médio chato de agora que calça uns ténis que brilham demasiado para o meu gosto; era o homem que brincava com o Zverev como quem passeia o cão num parque de domingo de manhã. E o Juan… puto, eu ainda tenho o vídeo guardado no telemóvel com o áudio cheio de estática porque a rede da minha rua resolvia distribuir-te os gritos da vizinhança todas as vezes que alguém passava de carro, mas quando aquele forehand acertou… até os pássaros na varanda da D. Filomena se calaram um segundo.
Comparar? Olha, hoje temos uns miúdos talentosos pra caramba, sem dúvida — o Carballés e o Alcaraz estão a fazer coisas que nem os velhotes do nosso clube imaginavam quando éramos miúdos -, mas havia qualquer coisa naquela equipa de 2023 que cheirava a vinho barato derramado por cima de um sofá que já não aguentava ninguém e ao cheiro a erva queimada vinda dos jardins da universidade… era arte crua, sem filtros. Hoje parece que tudo é mais… sei lá, enlatado? Não digo que estejam mal, digo que aquilo foi diferente: foi o nascimento, foi o choque de ver um miúdo de 19 anos a mandar no número 1 do mundo como quem manda no filho mais novo quando chega tarde a casa.
E se calhar é isso: 2023 foi o dia em que os abraços entre desconhecidos no bar do Tiago passaram a fazer mais sentido do que os abraços entre familiares a ver futebol. Hoje ainda nos emocionamos, mas é com a calma de quem já sabe que aquela magia volta sempre… como o verão a seguir àquele julho insuportável.
Bom, lembro-me que naquele dia eu tava no quintal do meu tio dando comida pro cachorro quando ele gritou lá de dentro "vem ver isso, moleque! O Carlinhos vai matar o Zverev!"... eu ainda tava com o pé sujo de ração na mão quando bati o joelho na quina da mesa de centro e voei pra dentro da sala gritando "PUTA QUE PARIU!" com tanta força que o pobre do cão saiu correndo pra longe como se tivesse levado um tiro 🤣
Mas o pior não foi isso: quando o Juan soltou aquele forehand eu tava com a boca cheia de pipoca e acabei cuspindo tudo no meu primo que tava dormindo no sofá igual um bêbado em cima da mesa... o mano acordou xingando que eu tinha feito mais barulho que todo o estádio junto e a galera toda no grupo do zap zoando "agora você deve pro Alcaraz" 🍿 o cara ainda ficou uns dias sem falar comigo!
E pra fechar com chave de ouro: no dia seguinte eu fui comprar pão na padaria e o Zverev tava lá no caixa com a cara toda inchada de tanto choro... ele olhou pra mim e disse "ainda não acabou não" e eu respondi "doutor, o senhor já foi pro céu e voltou, mas o juiz ali em cima mandou o Alcaraz pra história" 😂🤣 hoje ainda mostro essa foto pro pessoal e eles não acreditam que eu tava lá pra testemunhar o nascimento de uma lenda!
Vim rir, fiquei pra vida 🍿